POEMAS

CIDADE


Inspirada nos mortos
De operário a patrão
Envolto pelo cinza
Pálido das árvores de concreto
Que brotam do chão.
Sobre ti
O dia e a noite
Já não há distinção
Ostentando a bandeira
Do voraz progresso não
Precisa mais de colchão.
Cardiopata por extravagância
E ambição
Suas veias entupidas
Pela opaca fuligem
Marcam o começo de
Sua alto-destruição.
Dividida assimetricamente
Entre o público e o privado
O seu uso por quem a constrói
É limitado.
Na contramão da liberdade
O xenofobismo cresce com intensidade
Cercas-elétricas, câmeras e portões
Suscita a falsa sensação
De proteção.
Por tantas vezes
Vitima de reis piromaníacos
Cidade Eterna
Testemunha do rito
Dos palitos.
Cidade luz, Cidade Sol, Cidade das Águas...
Com a velha mania de cidade
Aspiraram ser o centro
Da humanidade.
Dona de diversas denominações
Favelização,
macrocefalia social, periferização...
Enfermidades crônicas
De sua desvairada expansão.
Entre tantas indagações
Emerge a eloqüente questão:
O mundo no futuro será uma grande cidade? Ou,
Cidade deixará de ser verdade?

Ernani Carvalho

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